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Webjet : conectando o Brasil
08/2009
(Daniel R.Carneiro, Aviation On Line)
Tendo iniciado sua vida de forma modesta e com futuro incerto, a Webjet ganha força com sua incorporação ao Grupo CVC. Conheça esta jovem companhia aérea que pretende crescer com responsabilidade.

Com um futuro incerto em seu primeiro ano de operações, frente à concorrência de potências já estabelecidas como a TAM e a GOL, a Webjet parecia ser mais uma entrante a ter vida efêmera. Mas sua compra pelo maior grupo de Turismo da América Latina – a CVC - deu novo gás à empresa, que com apenas quatro anos já briga pela terceira posição entre as transportadoras brasileiras. A política de flexibilização do transporte aéreo no Brasil, iniciada nos anos 90 e que reduzia o controle estrito do Estado sobre a concessão de rotas e exploração de serviços aéreos possibilitou o surgimento de novas companhias aéreas – boa parte delas sem recursos e estrutura suficientes para se manterem no mercado, a exemplo da FLY, da Air Vias, da ViaBrasil, da Nacional e de algumas regionais que tiveram vida efêmera, encerrando atividades com poucos anos ou meses de vida. Parecia ser o caso da jovem Webjet, idealizada e criada no final de 2004, no Rio de Janeiro, por um grupo de investidores coordenado pelo advogado Rogério Ottoni. Com um capital inicial de R$ 10 milhões (aproximadamente US$ 5 milhões), um único avião (o Boeing 737-33A prefixo PT-MNJ e série 25057, vindo da Nordeste Linhas Aéreas) e uma estrutura enxuta, com venda de bilhetes exclusivamente pela internet ou telemarketing, a Webjet planejava conquistar seu espaço no mercado baseando-se na filosofia low cost, low fare já experimentada, com sucesso, pela GOL poucos anos antes. Inaugurando suas operações com um vôo entre o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, em 12 de julho de 2005, e o Aeroporto Internacional da capital federal, Brasília, a Webjet estreava no mercado com algumas rotas nobres, atingindo também Guarulhos, em São Paulo, Florianópolis e Porto Alegre com tarifas altamente competitivas para a época. A nova empresa planejava incorporar uma segunda aeronave 737-300 e atingir, ao final de um ano de operações, 500.000 passageiros transportados e uma receita bruta de R$ 100 milhões. A concorrência, no entanto, não perdoou a chegada da nova entrante, reduzindo também suas tarifas e criando vôos em horários que competiam com os da Webjet. Não tendo como enfrentar o poderio da VARIG, da GOL e da TAM -, com maior tradição e com frotas grandes que permitiam maior oferta de vôos e conexões -, a jovem Webjet amargava índices de ocupação inferiores a 35%, que não cobriam seus custos operacionais, agravados com a alta do petróleo e do leasing, elevados com a variação cambial. Assim, a Webjet viu-se obrigada não apenas a adiar incorporação da segunda aeronave e a expansão da malha a Belo Horizonte, Curitiba, Recife e Salvador foram suspensas, mas também a pedir ao DAC – Departamento de Aviação Civil –, apenas quatro meses após iniciar operações, a suspensão temporária de seus vôos regulares. No final de dezembro de 2005, a Webjet entrou com uma queixa contra suas concorrentes junto à Secretaria de Direito Econômico, acusando-as de práticas desleais, reduzindo tarifas propositadamente para prejudicar sua permanência no mercado. Nessa época, VARIG, GOL e TAM detinham, juntas, 97,5% do tráfego doméstico de passageiros. As operações da Webjet reduziram-se, então, a alguns poucos fretamentos. Em 17 de janeiro de 2006, consolidando uma tendência de companhias ligadas ao transporte rodoviário investirem no crescente mercado da aviação, foi anunciada a venda da Webjet para uma associação entre o Grupo Jacob Filho – detentor do controle de mais de 20 empresas, entre elas as interestaduais Normandy e UTIL –, o Grupo Águia, do setor de turismo – controlador das operadoras Stella Barros, Top Service, Synergy, Pallas, Planeta Brasil e GapOne, e investidores estrangeiros. Com a transferência do controle da Webjet para seus novos sócios, a empresa passou a ser dirigida interinamente pelo Comandante Geraldo Souza Pinto, ex-diretor de operações da VARIG e irmão de Fernando Pinto (presidente da TAP e ex-presidente da VARIG). Com novo fôlego, a Webjet reiniciou suas operações em 9 de fevereiro de 2006 em um vôo entre o Rio de Janeiro e Porto Alegre, levando a bordo agentes de viagens e jornalistas, seguindo-se a este fretamentos para Florianópolis, Fortaleza, Natal, Porto Alegre e Porto Seguro. Em março de 2006, Paulo Enrique Coco, ex-presidente da Rio-Sul e da TransBrasil, foi convidado a assumir a direção da empresa, trazendo consigo sua larga experiência à frente de outras companhias aéreas. Em 2 de maio, a Webjet retomou seus serviços regulares, ligando o Rio de Janeiro a Porto Alegre, estendendo sua malha, algumas semanas depois, a Curitiba e Salvador. A estratégia inicial de vender bilhetes somente pela internet ou por telemarketing foi revista e a empresa passou a comercializar passagens também através de operadoras e agentes de viagens. Em outrubro do mesmo ano finalmente chegou a segunda aeronave : o Boeing 737-3Y0, série 23922 e prefixo PT-SSK, anteriormente operado pela Rio-Sul e pela VARIG. Em 1º de novembro foram reinaugurados os vôos para Belo Horizonte, atendendo ao aeroporto central da Pampulha, pela manhã, e ao internacional de Confins, à tarde. Do reinício das operações regulares em maio ao final do ano, foram transportados cerca de 123 mil passageiros, com uma taxa de ocupação média de 72% - quase o dobro da registrada nos primeiros meses de vida.
Em 25 de junho de 2007, foi dado um passo significativo para a consolidação e para o crescimento da Webjet no mercado : a venda do controle da empresa à CVC – maior grupo empresarial ligado ao turismo da América Latina. Fundada pelo empreendedor Guilherme Paulus no início dos anos 70, a CVC controla uma operadora de viagens com mais de 300 lojas e 8 mil agentes, uma operadora de cruzeiros marítimos líder em vendas no Brasil nas duas últimas temporadas – quando fretou navios das espanholas Pullmantur e IberoCruceros -, e de uma administradora de hotéis e resorts. Batendo novos recordes de vendas de pacotes turísticos a cada ano, a CVC é responsável por boa parte do faturamento das grandes companhias aéreas brasileiras, em especial a TAM – com que mantém antiga parceria, fretando suas aeronaves nos fins de semana e feriados, quando a demanda regular de passageiros de negócios cai significativamente. Embora a parceria com a TAM esteja consolidada, Paulus já alimentava há anos o sonho de ter sua própria companhia aérea. O primeiro passo para isso foi arrendar um Fokker 100 da TAM, pintado nas cores da operadora. Em seguida, foram anunciados os planos para a formação da FG Linhas Aéreas – carinhosamente apelidada “Samba”. O anúncio foi considerado, na época, manobra do brilhante empresário para forçar a negociação de condições mais favoráveis para a CVC junto a seus parceiros. Finalmente, em 2007, foi confirmada a compra da Webjet pela CVC, embora os interesses em adquirir a transportadora aérea viessem sendo negados até então (o grupo afirmava que estaria sendo fechado apenas um acordo para fretamento de aeronaves). A oportunidade de adquirir uma empresa já estabelecida, com rotas nobres em operação e slots em aeroportos estratégicos autorizados, foi ponto o fundamental para o interesse da CVC na concretização do negócio. A venda de 100% das ações da Webjet – 32,5% pertencentes a Jacob Barata Filho, 46,3% a Wagner Abrahão e o restante a um fundo de investidores – foi fechada pelo valor de R$ 45 milhões (cerca de US$ 22 milhões). Com a incorporação da Webjet ao grupo CVC, foram iniciados os vôos para Natal, Fortaleza, Ilhéus e Porto Seguro, destinos turísticos entre os mais vendidos pela operadora. Inicialmente servidas apenas por fretamentos, essas cidades tornaram-se destinos regulares da empresa. Nesse mesmo período, foram ampliadas as freqüências entre Brasília, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. A chegada do terceiro 737-300, em 21 de dezembro de 2007, permitiu à Webjet acrescentar à malha dois novos destinos no Nordeste brasileiro : Recife e Maceió. Em maio do ano seguinte, a frota já era composta por seis aviões, possibilitando o aumento de freqüências das rotas já estabelecidas e a abertura de vôos para Campo Grande e Cuiabá, na região centro-oeste do país. Ainda em 2007, foram ampliados os serviços de cargas e encomendas porta-a-porta, operados em parceria com a empresa de logística SmartCargo. A Webjet encerrou o ano de 2008 com uma frota de 11 aeronaves, servindo a 13 cidades em quatro das cinco regiões do Brasil. Atingiu a terceira colocação no mercado, com participação de 3,70% no volume de passageiros transportados por Km, ficando atrás, apenas, das poderosas GOL/VARIG e TAM, que totalizaram, juntas, 91,53% do mercado. O início de 2009 trouxe mudanças significativas e novos rumos à companhia : além do convite a Wagner Ferreira, ex-vice-presidente da VASP e da TAM e amigo pessoal de Guilherme Paulus, para a presidência da Webjet, foi apresentada sua nova imagem corporativa. Ferreira assumiu o comando da Webjet em 13 de fevereiro, A nova pintura e logomarca dos aviões foi criada pela agência GP7 Comunicação, responsável também pela reformulação da estratégia de marketing da companhia. A nova logomarca, combinando a letra “W” do nome da empresa com a “@”, e o slogan “Conecte-se”, pretendem transmitir a idéia de tecnologia, modernidade e simplicidade conectando destinos e pessoas, associando a imagem e o nome da empresa à internet. O interior das aeronaves foi recriado pelo experiente arquiteto e designer Sérgio Bernardo (ex-VARIG), com novos padrões de tecido nas poltronas, no piso e nas cortinas que dividem as cabines, mesclando tons de cinza e verde e tornando o ambiente mais claro e leve. O pitch entre as poltronas foi padronizado para 32 polegadas, garantindo mais conforto ao passageiro. Outras novidades foram a transferência da sede da empresa (antes localizada no pequeno aeroporto de Jacarepaguá, destinado à aviação geral) para um espaço maior, no centro empresarial Rio Office Park, bairro da Barra da Tijuca - uma das mais belas regiões da cidade do Rio de Janeiro -, e a estréia dos vôos a partir do aeroporto Santos-Dumont, também no Rio. A Webjet entra no segundo semestre de 2009 com uma frota de 16 aeronaves, atendendo a 10 cidades - Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro (Internacional do Galeão-Antonio Carlos Jobim e Santos-Dumont), Salvador e São Paulo (Guarulhos) - e 11 aeroportos em 100 voos diários. A empresa atingiu em 1º de julho último a marca de 3 milhões de passageiros transportados (2 milhões somente nos últimos 18 meses). Sua participação no mercado, de janeiro a maio, atingiu a média de 3,95%, disputando a terceira posição com a estreante Azul, de David Neeleman, que também vem registrando crescimento significativo desde o início de suas operações em dezembro último. Em maio, foi ultrapassada pela Azul pela primeira vez, posição que pode voltar a se alternar com a incorporação das 15ª e 16ª aeronaves. Para um futuro próximo, a Webjet pretende instalar um centro de operações e manutenção no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, e dependendo do comportamento do mercado, há planos de fechar o ano com uma frota de 20 aeronaves Boeing 737-300. A administração de Wagner Ferreira tem como meta um crescimento responsável e sustentável, não pretendendo entrar em nova guerra tarifária com suas concorrentes. Sua prioridade é oferecer um serviço de qualidade a um público exigente – hoje formado, em grande parte, por executivos que viajam a negócios. Alguns dados da Webjet Código IATA : WH Código ICAO : WEB Call sign : WEBJET Sede : Condomínio Rio Office Park Av. Embaixador Abelardo Bueno, 199, salas 301 a 304 - Barra da Tijuca 22775-040 Rio de Janeiro – RJ Brasil Web site : http://www.webjet.com.br Reservas : 0300 21 01234 Atendimento ao cliente : 0800 723 1234 Frota atual (julho de 2009)
Prefixo | Modelo | Série | 1o Voo | Entrega | Observações | PR-WJA | Boeing 737-322 | 24663 | 1990 | 15/12/2007 | Ex N401TZ | PR-WJB | Boeing 737-341 | 25050 | 1991 | 31/03/2008 | Ex PR-BRG | PR-WJC | Boeing 737-341 | 25051 | 1991 | 02/02/2008 | Ex PR-BRF | PR-WJD | Boeing 737-3Y0 | 23922 | 1988 | | Ex PP-VOM / PT-SSK | PR-WJE | Boeing 737-33A | 25057 | 1991 | | Ex PT-MNJ | PR-WJF | Boeing 737-341 | 24936 | 1990 | 16/05/2008 | Ex PP-VOO | PR-WJG | Boeing 737-322 | 24452 | 1989 | 29/06/2008 | Ex N359UA / PR-GLB | PR-WJH | Boeing 737-341 | 26856 | 1992 | 11/12/2008 | Ex PP-VPB | PR-WJI | Boeing 737-341 | 26857 | 1992 | 11/2008 | Ex PP-VPC | PR-WJJ | Boeing 737-341 | 24935 | 1990 | 30/12/2008 | Ex PP-VON | PR-WJK | Boeing 737-33A | 23830 | 1987 | 16/09/2008 | Ex N238MQ / PR-BRY | PR-WJL | Boeing 737-36N | 28590 | | 06/2009 | Ex SP-LME | PR-WJM | Boeing 737-36Q | 28660 | 1997 | 28/04/2009 | Ex G-THOK | PR-WJN | Boeing 737-36Q | 29327 | 1998 | 07/05/2009 | Ex G-THOI | PR-WJO | Boeing 737-3Q8 | 26295 | 1993 | 2205/2009 | Ex N295AN | PR-WJP | Boeing 737-3Q8 | 26309 | 1994 | 2009 | Ex TS-IEF | (fonte : site AeroMuseu, www.aeromuseu.com.br)
Saiba mais Este artigo foi publicado, também (em inglês), na edição de setembro / outubro de 2009 da revista norte-americana Airliners : http://www.airliners.tv
Leia também a entrevista com Guilherme Paulus (fundador e presidente do Conselho de Administração da CVC) e Wagner Ferreira (presidente da Webjet) : http://www.aviation.com.br/portal/noticias/artigos_det.php?id_art=42
Aviation On Line agradece à Diretoria, Assessoria de Imprensa e funcionários da Webjet e da CVC e à INFRAERO pelo apoio a este trabalho.
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